Dizem que ele morreu! Mas... é preciso, mais do nunca, ter
uma estratégia e não se chega lá sem um plano!
Em outubro escrevi que, com a atual economia em crise, as
empresas fazem bem em apertar os cintos, mas que não podem parar de planejar. Sobre
esse tema muito se comenta nos vários grupos das redes daqui e de todo o mundo.
Ao recomendar que as empresas avaliem se não é chegada a
hora de revisitar suas estratégias, Geoff Gwynn, coach de crescimento, aponta para as três categorias de questões
que impactam o crescimento das receitas e dos lucros: pessoas e
relacionamentos; processos internos e a dinâmica dos mercados. Ao destacar como
a velocidade das mudanças têm aumentado, ele reforça a necessidade de ser ágil
na identificação das mudanças e na prontidão para a revisão a estratégia e
mudança do curso das ações.
O Dr. Brian Massey, professor adjunto no Trinity College de
Dublin e consultor de estratégia, oferece um guia de como realizar uma revisão,
que ele aponta como muito oportuna, hoje. Defende que um exercício de revisão
da estratégia traz maior clareza por permitir a priorização e entendimento da
evolução das iniciativas vinculadas à estratégia.
Ele observa que, apesar do valor das ferramentas
tradicionais e bem difundidas, como o Balanced
Scorecard (BSC), a estratégia hoje exige um tratamento mais fluido e sugere
que as análises se concentrem na avaliação do que está “derrapando”, daquilo
que está evoluindo e, por fim, daquilo que se tornou emergencial. Fazendo assim,
e de forma contínua, ele afirma que estaremos melhorando a gestão da
implementação das ações e, ao mesmo tempo, ganhando uma visão mais crítica da
própria estratégia.
“...apesar do valor das ferramentas tradicionais e bem
difundidas, como o Balanced Scorecard
(BSC), a estratégia hoje exige um tratamento mais fluido...” Brian Massey
Outros especialistas vão ainda além e, talvez mais pelo
efeito dramático, já decretaram a morte do planejamento estratégico. Bill
Connerly, autor de “The Flexible Stance:
Thriving in a Boom/Bust Economy” escrevendo para a revista Forbes, declarou:
“o planejamento estratégico está morto. O novo rei é a execução e a
flexibilidade”. Segundo ele, muitos CEOs dizem que não mais estão fazendo
planejamento estratégico e aponta a inabilidade de prever o futuro como a maior
causa.
Em artigo de 2014, Norman Wolfe, consultor e CEO da Quantum Leaders, engrossa o coro dos que
consideram enterrado o planejamento estratégico. Segundo ele, a antiga forma de
definir os caminhos para uma organização, isto é, o processo tradicional das
análises e reuniões de formulação estratégica, morreu porque o ambiente no qual
a estratégia deverá ser executada, já vai estar diferente daquele vigente
durante a fase de planejamento.
É bem verdade que, em muitas ocasiões, o documento que leva
o nome de planejamento estratégico não passa de uma pasta pegando pó na
estante, que perdeu há tempos a capacidade de orientar as ações transformadoras
das empresas e que jamais é revisitado. Quando esse é o caso, talvez seja mais
justo dizer que aquele plano, de fato, nunca teve vida e sua morte tem menos a
ver com mudanças no mundo dos negócios do que com dificuldades não
adequadamente contornadas pelas empresas, desde sua formulação.
Há ainda outros que chegam ao extremo de rejeitar o valor da
própria estratégia em si, argumentando que as organizações precisam hoje apenas
de agilidade de execução e isso acima de tudo. O famoso estrategista Roger Martin
alega já ter ouvido essa defesa algumas vezes.
“...em
muitas ocasiões, o planejamento estratégico não passa de uma pasta pegando pó
na estante, que perdeu a capacidade de orientar as ações transformadoras e que
jamais é revisitado...”
Se isso é verdade, deve ser abandonado tudo o que foi dito sobre
a busca da vantagem competitiva, da proposta diferenciada de valor, dos oceanos
azuis... Afinal, não faz sentido crer que possam ser alcançados apenas sendo
mais ágil.
Maior agilidade é, certamente, um fator de competitividade fundamental,
mas como definir, decidir e executar planos transformacionais sem qualquer
exercício de planejamento? E, ao trabalhar com tais planos, não há dúvida de
que serão, sem a menor sombra de dúvida, planos estratégicos!
Aspectos do planejamento tradicional que já se podem dizer
claramente obsoletos são aqueles diretamente ligados ao engessamento do
processo:
- Ciclos-calendário rígidos (esperar o planejamento para discutir, decidir e agir).
- Análises feitas exclusivamente sobre bases de dados históricas estáticas.
- Decisões e planos escritos na pedra com sangue.
- Discussões estratégicas realizadas exclusivamente entre a alta direção, isolada do dia-a-dia das operações + Execução da estratégia realizada pelos demais, isolados da discussão estratégica.
De forma geral, mesmo quem anuncia a morte do planejamento
estratégico, concorda que os objetivos subjacentes ao tradicional processo
continuam tão ou mais importantes hoje. A antiga resposta para a determinação dos
objetivos, isto é, o processo de planejamento estratégico tradicional,
certamente não é mais a resposta para dar conta da intensidade “disruptiva” dos
mercados.
É preciso encontrar uma forma de acompanhar mais de perto os
movimentos, identificar riscos e oportunidades rapidamente e agir quase que
instantaneamente.
Na segunda parte, mais detalhes sobre o diagnóstico do
doente...


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